Queria eu poder mudar tanta coisa nesse mundo, mas se nem mesmo em mim eu consigo mudar alguma coisa muitas vezes. Desejei tanto o dia em que eu fosse estar assim como estou hoje, não em estado de espírito, mas em situação física. Só que me olho no espelho e vejo um rosto feito de ares que não são os que eu queria poder ver. Conto de fadas, tanta doçura, nada acabou... Está tudo no mesmo lugar, do mesmo jeito que foi deixado em mim. Mas então o que falta? O cheiro que solta pela pele está ali, o calor que rouba o meu ar também está, o som que me inebria rompe pelas cordas vocais, mas o que mais? Sinto-me mais forte, feliz e completa do que nunca, mas por vezes (e muitas) me vi perdida, sozinha e acompanhada num mesmo instante e é como se nada fosse pra ser diferente, só sei que ainda assim, eu não sei bem o quê ou porquê, mas me falta ou será que quem falta sou eu? Nada me faria mais feliz que ter tatuado no ego a dor de saber que não vai acontecer. Nada me traria mais prazer que sentir doer a dor que eu nunca sentiria, só pra saber que não foi do jeito errado, que não vai ter fim e que eu não tenho nada de mais a não ser insegurança... Será que é mesmo essa a palavra? Será que é isso mesmo o que sinto? Eu que fui sempre tão segura de mim e dos meus sentimentos principalmente, me pego numa nuvem que embaça e deturpa toda a imagem que minha alma não pode enxergar.Exaustão... Será que a incerteza bateu? Mas se me entrego tanto, que culpa teria a imagem a carregar que não pode mais zelar pela dor que deveria fazer estancar? Se cansei, não foi de ninguém a não ser de mim, que me vejo atada e de mãos entrelaçadas na angustia da tortura de um tempo trancafiado na emoção de estar a pé em tempos que cavalo sabe voar...Só sei que sozinha não dá mais, mas a vergonha me consome e eu não peço ajuda a você!
Tantos dias, tantos nós a se fazer. Não lá no leito, nem no estreito-longo jeito de a gente ser e se ter, mas no meu peito, que com a sua ausência física faz esmiuçar a maior luz que eu já vi brilhar, que já FIZ brilhar... Mas te acalmes, não preocupes em vão essa cabecinha que eu tanto amo... Nem tudo o que é friável, tem como fim a inexistência, o esquecimento... Os caminhos se tornam apertados sem ti, a escuridão é cada dia maior sem teus olhos me guiando sim, mas o sentimento... Ah, o sentimento.... Aquele que só tu e eu fomos capazes de sentir! Esse jamais há de findar, porque meu corpo é teu e nossas almas uma só, lembra? "[...] Talvez esse seja a maior prova e mistério do amor, compreender que não há separação dos verdadeiros amantes, independentemente das condições físicas, de tempo ou distâncias, de vida ou morte.[..]" McGowan, Kathleen (2010, p.43)
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